segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Carta de papel

Desde o último dia 19 que o meu cotidiano tem estado um tanto quanto revirado. É que meus pais viajaram e tive que voltar ao que eu sempre chamei de casa. Mas que hoje é a casa deles, não mais a minha. Mas essa questão do que é ou não a minha casa vai em outro post.

Hoje vou falar do amor. Eu, do meu jeito canceriano e melancólico fui remexer na gaveta de lembranças que a minha vó Ignez (sim é com g mesmo), deixou pra meu pai. Ele com todo zelo deixa toda a história dele ali, no pé da cama dele, na gaveta do criado, que é mudo.

Olhando tudo eu achei uma relíquia. A carta em que meu avó Pedro pede voinha em casamento. Do pouco que consegui ler, já que papel, diferente de sentimento, esfarela, ficou uma grande frase: “ hoje uma única corrente que me traz prisioneiro: és tu”. Eita valei-me que coisa linda (eu mesma achei). Há quem ache piegas, mas o amor é piegas mesmo.

A carta, de 12 de janeiro de 1942, data em que meu avô tinha sessenta e a minha avó trinta (uma solteirona para a época) é um pedido de perdão e uma jura de amor eterno. É que pelo que entendi, ele já tinha falado a ela que estava apaixonado, alguém entrou no meio e fez uma fofoca e ela entendeu como uma afronta. Realmente a bicha era braba. Mulher arretada. Do norte, quase nordestina. Bem, é com essa carta que ele tenta explicar melhor as coisas e diz que um dia a verdade vai vingar e que neste dia “o sol da realidade vai aquecer os nossos corações”.

E depois dessa carta minha avó viveu com ele, tiveram 3 filhos – Pedro, Paulo e José. Pense que açaí é o que pode haver de melhor para a vitalidade masculina já que meu avô gerou meu pai aos 72anos! Eles viveram juntos por quase vinte anos, até o dia em que uma pneumonia levou ele. E ela ali, cuidando e velando.

E tudo começou com essa carta. Que hoje essa neta, um tanto quanto piegas, retrata aqui nesse blog. As coisas podem até ser modernas, mas olhar a letra do meu avô nessa carta, pensar nele escrevendo, nela lendo e tudo o que aconteceu depois... Não tem modernidade que chegue.

Vou nessa ler as outras cartas escritas que têm aqui e vou escrever uma carta em papel pautado para alguém e mandar pelo correio. Simples.