Chego no bar. Marido, amigas e conversa jogada fora. Adoro esse ambiente. No meio da noitada chega aquele senhor na nossa mesa. Barba branca, muito branca. Coisas que a idade faz com o povo. Um sinal que mostra logo que essa pessoa é diferente de você, que é cheia de cabelos pretos, muito pretos e pouca, quase nenhuma experiência de vida.
Conversa vai, conversa vem, “ cerveja garçon” . Amigo, uma cervejinha que o copo ta vazio e coisa pouca é ruim. Aí a conversa do momento é amor. Aquele senhor vai e conta uma paixão, um amor. No caso dele, perdido. Aliás, deixado pra lá. E de repente as sobrancelhas brancas ficam mais cerradas e ele começa a chorar.
Chorar, chorar pelo grande amor não vivido. A explicação é que lá pelo início da década de 70, as histórias de vida foram tomando rumos diferentes e toda aquele amor foi sendo esmagado pela vida. As palavras não ditas, os gestos não feitos, o medo de errar, o medo de cair, o medo de mudar, enfim tudo foi ficando maior do que o amor e pronto. Aí, saiu a fatídica frase que indica cada qual pro seu lado.
As décadas seguintes só evidenciaram o que eles já sabiam. O amor é grande. Cada qual constituiu família, casou, separou e aí, nessa noite no bar, depois do choro e da grande história de amor, descobrimos que a mulher amada é tia de uma das amigas. Resultado: o senhor da barba branca está novamente com o destino nas mãos dele. Um guardanapo meio amassado com números dos telefones meio embriagados da mulher sempre amada.
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Um comentário:
Do caralho...
Saudade de tu.
Recebe meu beijo cheio de amor.
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