Pense n’eu
Luiz Gonzaga
Pense n'eu quando em vez coração
pense n'eu vez em quando
onde estou, onde estarei
se sorrindo ou se chorando
se sorrindo ou se chorando
pense n'eu... vez em quando
pense n'eu... vez em quando
Tô na estrada, tô sorrindo apaixonado
pela gente e pelo povo do meu país
olêlê
Tô feliz pois apesar do sofrimento
vejo um povo de alegria bem na raíz
vamos lá
Alegria muita paz e esperança
na esperança de fazer tudo melhor
e será
Alegria o meu nome é união
e povo unido é beleza mais maior
Totalmente atrasado, segue texto pro dia dos pais. Sempre que ouço essa música que abre o post, me vem à cabeça a relação pai e filho(a). Não sei se porque o velho Gonzagão e Gonzaguinha, reza a lenda, não se davam tão bem; não sei se porque meu pai me ensinou a ouvir Luiz Gonzaga de pequena ou até porque o Nego se emociona sempre lembrando do pai quando ouve o véio rei do Baião. O que importa é que essa música é linda, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha são a fina flor do sertão pernambucano e Pai é o que há de melhor.
O meu além de uma doçura incrível, é o que pode se chamar de um cara honesto. E dentre todas as lições que ele me ensinou, a maior foi a do bom-caráter. De feição, sou a cara dele, dos ombros largos à sobrancelha farta.
No meu Painho farta pouca coisa. Sobra mais. Sobra mais amor, mais esperança, mais alegria, mais carinho, mais honestidade, mais uma barriguinha linda e muito, muito conhecimento. Não é porque é meu pai não, mas é assim. Orgulho do mundo todo.
Desde sempre me lembro dele lendo. Não tem dia esse que ele não leia pelo menos umas duas horas. Foi assim, pelo conhecimento, pelas palavras e pelos meandros da economia que ele venceu.
Desde pequeno o menino do cabeção gostava de estudar. A velha Ignez, sem grana pra comprar caderno assim bonito feito o nosso, feito os que normalmente a gente usa, fazia um caderninho com papel de pão. Aquele papel que o pão vem enrrolado, sabe? Pois foi nesses papéis escuros que meu pai aprendeu a lição. Aprendeu tão certinho e com tanta luta que se formou, pegou uma carona no avião da FAB e migrou aqui pro Recife. Na época, o mestrado da UFPE era o melhor do Brasil. Com uma mão na frente e outra atrás, contando o dinheiro pro ovo e pro pão, meu velho entrou no mestrado aqui e logo virou professor.
Claro que pra ele um mestrado era muito pouco e então resolveu fazer mais outro e ainda um doutorado, esses últimos nos Estados Unidos. Foi aí que grande parte da minha infância se deu nesse país. E aí, depois de uns cinco invernos, muita leitura e carne moída, voltamos. Ele, claro, voltou a dar aula e segue fazendo isso desde então.
No caminho dele, a estrada dos primeiros 25 anos foi dura, mas ele sempre veio, como o Gonzagão, sorrindo com fé e alegria, apaixonado pelo seu povo. Os outros 30 anos estão sendo bem menos cruéis. E é com a aula e com suas pesquisas que ele acredita fazer a parte dele para um mundo melhor. Certo ele.
Quero muito que meus filhos aprendam com ele a lição. Espero que a filha que um dia devo ter, que por sinal se chamará Inês em homenagem à mãe dele, minha vozinha linda, aprenda com ele que as palavras levam você pra frente na vida e que a honestidade, o bom caráter são valores básicos e incontestáveis. Eles podem aprender também que pato no tucupi é um dos melhores pratos do mundo e que um beijinho, um cheiro e um abraço nunca é demais.
Para Painho, da sua filhinha (dito com sotaque paraense)
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Um comentário:
Vamos brincar de atualizar o blog? demora do carai.
João Valadares
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