terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ninar

São inúmeras as músicas maravilhosas para se ninar crianças. Lembro que até grandinha lá em Itamaracá a melhor coisa do mundo era ser ninada por mamãe cantando na rede. Dudu era bem mais novinho e sempre era ninado. Quando Dona Teca se preparava, colocava a rede no final do terraço e eu via que ia rolar sessão ninar, eu logo me abuletava pra aproveitar.

Eu vou ninar minha pequena Inês. Ponto. Claro que não vai ser no braço, sacudindo pra cima e pra baixo toda noite. Mas eu vou cantar pra ela as músicas que ouvi e que achava a expressão maior do amor. Vou sim colocá-la na rede e cantar as travessuras do macaco simão e da velha Firinfinfélia, o leãozinho caminhando sob o sol e o romance da bela Inês.

Vou de saltimbancos até a arca de Noé. Vou errar as letras e ela vai aprender assim, com a letra errada. E coitada, vai ter que ouvir a minha voz rouca e desentoada. Mas acho que no fim, ela vai amar e assim dormir em paz. Ela também vai saber que não vai ser toda noite. A gente vai encontrar o nosso equilíbrio.

Sete Cantigas Para Voar

Composição: Vital Farias

Cantiga de campo
De concentração
A gente bem sente
Com precisão
Mas recordo a tua imagem
Naquela viagem
Que eu fiz pro sertão
Eu que nasci na floresta
Canto e faço festa
No seu coração
Voa, voa, azulão...

Cantiga de roça
De um cego apaixonado
Cantiga de moça
Lé do cercado
Que canta a fauna e a flora
E ninguém ignora
Se ela quer brotar
Bota uma flor no cabelo
Com alegria e zelo
Para não secar
Voa, voa no ar...

Cantiga de ninar
A criança na rede
Mentira de água
É matar a sede:
Diz pra mãe que eu fui para o açude
Fui pescar um peixe
Isso eu num fui não
Tava era com um namorado
Pra alegria e festa
Do meu coração
Voa, voa, azulão...

Cantiga de índio
Que perdeu sua taba
No peito esse incêndio
Céu não se apaga
Deixe o índio no seu canto
Que eu canto um acalanto
Faço outra canção
Deixe o peixe, deixe o rio
Que o rio é um fio de inspiração
Voa, voa, azulão...

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