quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Na porta

Colei na porta o nome Inês. Feito à mão por Jaci, esposa de Chiquinho (meu chefe). Carinhos bordados ponto por ponto. Vários corações, cada um com uma letra. I N Ê S Surpresa para quando o Nego chegar de viagem. Ali tá dizendo o que em breve estarei vendo. Uma pessoa chamada Inês. Uma pessoa pela qual já sinto um amor inenarrável que, claro, deve aumentar ainda. Uma filha.

Essas coisas da vida normal mas que deixam a gente meio atarantada. Vou ter uma filha. Para o resto da vida aquela pessoa vai estar comigo (tomara), vou dar e ensinar a comer, fazer xixi sem fralda e cocô no banheiro. Vou educar e vou ficar tentando levar pelos melhores caminhos da vida. Tentando porque ela, como todos nós, vai cair e se cortar e vai chorar de amor. Vida isso né?

Vou ter medo de perdê-la e esse medo vai ser tão grande, tão grande que vou precisar ter juízo. Vou ter um cuidado imenso. Vou ensiná-la a gostar de carnaval e respeitar se ela não gostar. Também vou ter raiva dela, principalmente se ela for desaforada feito eu. Vou torcer muito pra ela ser feliz e vou fazer das tripas coração para que isso seja fato.

Vou chorar em todas as festas de colégio. Vou brigar se ficar de recuperação e vou ficar impaciente quando ficar adolescente (não tenho muita paciência com adolescentes). Vou fingir que não sei algumas mentiras. Vou me aperriar para que passe no vestibular, vou torcer por uma vida profissional massa e ver tudo se repetir, feliz da vida.

Vou ensinar ela a ser uma pessoa boa. Ela vai saber direitinho o que significa honestidade, respeito, solidariedade e amor.

Sabe o melhor de tudo? É querer que seja tudo tão absolutamente normal como a maioria das famílias do mundo. Como um filme de sessão da tarde. Simples assim.